Atleta que denunciou Melqui Galvão faz desabafo sobre abuso e pressão: 'Não foi só meu corpo violado'

  • 05/05/2026
(Foto: Reprodução)
Mestre de jiu jitsu é acusado de assediar sexualmente alunas adolescentes Uma das vítimas do professor de jiu-jítsu Melqui Galvão, investigado por suspeita de crimes sexuais contra alunas, usou as redes sociais para desabafar sobre os abusos que sofreu. Em um post que viralizou, ela declarou: "Não foi só meu corpo que foi violado, mas também a minha saúde mental". Galvão foi preso em Manaus (AM) no dia 27 de abril, após denúncias envolvendo ao menos três vítimas. A prisão temporária foi decretada pela Justiça após investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo. Ele é investigado pelos crimes de ameaça, importunação sexual e estupro de vulnerável. Veja mais abaixo. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp A onda de desabafos das vítimas ganhou força no domingo (3), após uma reportagem do Fantástico expor o caso. Em um dos relatos mais compartilhados, uma atleta que foi treinada por ele em Jundiaí, no interior de São Paulo, revela ter sofrido "tortura psicológica, pressão e coação" e diz que o treinador tentou silenciá-la. "Como todo abusador, ele tentou me calar. Tentou calar a minha família também. Ameaçou meus sonhos, minha carreira, disse que eu não teria mais oportunidades no esporte", escreveu a vítima, que é menor de idade e, por isso, não será identificada pelo g1. Lutador e treinador de jiu-jítsu Melqui Galvão foi preso em Manaus (AM) Reprodução/Instagram Ela conta que o crime aconteceu em fevereiro de 2026 e que, mesmo com a investigação em sigilo, as perseguições continuaram. A atleta afirma que o treinador tentou inverter a situação, fazendo-a acreditar que a culpa era dela. O post, que recebeu mais de mil comentários de apoio, termina com um apelo a outras possíveis vítimas: "O que me deu coragem foi saber que eu não estava sozinha. [...] Você que também foi vítima não se cale. Você não tem culpa. Denuncie". Vítima de Melqui Galvão publica declaração nas redes sociais após repercussão do caso Reprodução/Redes sociais Veja o relato na íntegra: "A dor de falar, a coragem de denunciar. Hoje estou aqui para falar sobre um assunto que todos já imaginam qual é. Isso não é uma nota de esclarecimento. É o meu relato como vítima. Eu fui vítima de um crime sexual cometido por alguém que, até então, eu admirava. Eu via essa pessoa como um líder, como um exemplo a ser seguido. Ele tinha a minha confiança, a confiança dos meus pais e também a confiança dos pais de outras meninas que, assim como eu, também foram vítimas. Ainda estou tentando entender tudo o que aconteceu e o que ainda está acontecendo. Para mim, é muito difícil falar sobre isso. Lembrar me causa dor. Não foi só o meu corpo que foi violado, mas também a minha saúde mental. Nos últimos meses, eu vivi momentos muito difíceis. Sofri tortura psicológica, pressão e coação. Não só por parte do meu abusador, mas também de pessoas ao redor dele, que tentaram me calar. Assim como outras vítimas que passaram pela mesma situação. Eu só consegui denunciar porque tenho meus pais ao meu lado. E porque Deus colocou pessoas no meu caminho que me mantiveram em pé quando eu já não tinha mais forças nem esperança de seguir em frente. Como todo abusador, ele tentou me calar. Tentou calar a minha família também. Ameaçou meus sonhos, minha carreira, disse que eu não teria mais oportunidades no esporte. Além disso, tentou inverter a culpa, fazendo eu acreditar que a responsabilidade era minha, e tentou me coagir a desistir de levar isso adiante. Eu nunca quis que nada disso acontecesse. Nunca quis prejudicar qualquer colega. Assim como nunca quis passar por isso. Hoje eu entendo que essa culpa não é minha. O que me deu coragem foi saber que eu não estava sozinha. Saber que ele já tinha feito isso, e até coisas piores, com outras meninas que também foram ameaçadas. O que me fez seguir em frente foi entender que a minha denúncia poderia impedir que outras pessoas passassem pelo mesmo no futuro. Antes que alguém questione, isso aconteceu em fevereiro, e a denúncia já estava sendo investigada em sigilo. Neste momento, eu só peço que não nos julguem. Nem a mim nem às outras meninas. Nós somos vítimas. E denunciar alguém assim exige uma força que eu sozinha não teria. Ele sempre deixou clara sua suposta ligação com autoridades policiais, como forma de intimidação. Mas eu acredito na polícia e sei que eles não compactuam com isso. Agradeço à 8ª DDM de São Paulo, que me acolheu e segue trabalhando pela justiça. Sou grata a todos que me apoiaram. Eu só quero me reconstruir e continuar lutando pelos meus sonhos. Aos meus colegas de treino, vocês não estão sozinhos. E você que também foi vítima não se cale. Você não tem culpa. Denuncie." LEIA TAMBÉM: Professor de jiu-jítsu, Melqui Galvão é preso por suspeita de abuso sexual contra alunas; vítima relata caso ocorrido no exterior Mãe de vítima do lutador de jiu-jítsu Melqui Galvão diz que foi chantageada com patrocínios e viagens: 'Mente controladora' ÁUDIO mostra Melqui Galvão confessando ter tido 'comportamento' impróprio com vítima; OUÇA Outras vítimas A reportagem do Fantástico trouxe à tona denúncias de manipulação e abuso sexual de menores que levaram à prisão de Melqui Galvão. Um dos relatos é de uma jovem, hoje maior de idade, que afirma ter sido abusada dos 12 anos até a adolescência. Melquisedeque de Lima Galvão Ferreira é um conhecido faixa preta e treinador de jiu-jítsu, com academias em Manaus (AM), São Paulo (SP) e Jundiaí (SP). Além da carreira no esporte, ele é policial civil no estado do Amazonas. A prisão temporária foi decretada pela Justiça de São Paulo em 27 de abril. A polícia cumpriu mandados de busca na casa do treinador em Jundiaí, mas ele se entregou às autoridades em Manaus no dia seguinte e permanece preso. Professor de jiu-jítsu Melqui Galvão é preso por suspeita de abuso sexual contra alunas Divulgação Initial plugin text Quem é Melqui Galvão Melqui Galvão é conhecido no meio esportivo como faixa preta e treinador de jiu-jítsu, sendo responsável por uma academia na Zona Norte de Manaus. Ele também é pai do multicampeão da modalidade, Mica Galvão. Após a prisão do pai, Mica usou as redes sociais para se manifestar. Ele afirmou que vive um momento difícil, destacou a relação com o pai e defendeu que o caso seja apurado com rigor pelas autoridades. "É difícil encontrar palavras para um momento como esse. Meu pai, Melqui Galvão, foi quem me colocou no tatame pela primeira vez ainda criança. Foi ele quem me ensinou a lutar, a competir, a respeitar o adversário e a ter caráter", escreveu. Investigação e prisão Em áudio, Melqui Galvão confessa ter tocado em aluna após achar que ela estava dormindo Segundo a investigação, o caso veio à tona após uma adolescente de 17 anos, ex-aluna do treinador, denunciar a prática de atos libidinosos não consentidos durante uma competição esportiva realizada fora do país. A vítima está atualmente nos Estados Unidos e foi ouvida pelas autoridades, junto com familiares. A prisão temporária foi decretada após denúncias reunidas pela 8ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), que apura relatos de abusos envolvendo ao menos três vítimas. De acordo com a polícia, os denunciantes apresentaram uma gravação na qual o investigado admite indiretamente o ocorrido e tenta evitar que o caso seja levado adiante, com a promessa de compensação financeira. Durante a apuração, outras duas possíveis vítimas foram identificadas em diferentes estados do país. No depoimento, elas relataram episódios semelhantes. Em um dos casos, a vítima afirmou ter 12 anos na época dos fatos. Segundo a polícia, Melqui Galvão havia viajado menos de 24 horas antes para o estado do Amazonas. Após contato entre as corporações, ele se apresentou às autoridades em Manaus, onde teve a prisão cumprida. Além da prisão temporária, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em endereços ligados a ele em Jundiaí, no interior paulista. O caso tem gerado forte repercussão na comunidade do jiu-jitsu. A Polícia Civil segue com as investigações para apurar a extensão dos crimes e identificar possíveis novas vítimas. Em nota, a Polícia Civil do Amazonas informou que as investigações relacionadas professor continuam em Manaus, com realização de depoimentos presenciais e virtuais para esclarecer possíveis crimes. O suspeito está detido na Delegacia-Geral, e a corporação aguarda decisão judicial para transferi-lo a um presídio em São Paulo, onde foi expedido o mandado de prisão temporária. O g1 não localizou, até a última atualização desta reportagem, a defesa de Melqui Galvão. Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sorocaba-jundiai/noticia/2026/05/05/desabafo-atleta-vitima-melqui-galvao.ghtml


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