'Ele falou que eu tinha que pagar o tempo investido em mim', diz atleta de jiu-jítsu que denuncia Melqui Galvão por abusos sexuais
08/05/2026
(Foto: Reprodução) Vítima de Melqui Galvão: 'Ele dizia que eu tinha que pagar'
Uma das vítimas do professor de jiu-jítsu Melqui Galvão, investigado por suspeita de crimes sexuais contra alunas, relatou em entrevista exclusiva à GloboNews 14 anos de violência sexual e psicológica que relata ter sofrido.
A atleta Brenda Larissa, de 27 anos, mora atualmente nos Estados Unidos e disse que ouviu do treinador que os abusos eram uma espécie de agradecimento à ajuda dada por ele quando ela iniciava no esporte e quando entrou para a equipe de competição.
"Ele pagava a inscrição de campeonato, dava quimono. A gente não tinha dinheiro para nada, muitas vezes nem para comer. (...) Quando ele foi me abusar, ele falou que eu tinha que pagar, né, todo o tempo que ele estava investindo em mim e que aquilo não era de graça e eu teria que pagar.”
Melqui Galvão, foi preso temporariamente no fim de abril no estado do Amazonas após a denúncia da primeira vítima. Ele foi transferido para São Paulo na noite de quinta-feira (7) e levado para o Presídio da Polícia Civil, na Zona Norte da capital. Além de treinador, ele também é servidor da Polícia Civil do Amazonas.
A atleta Brenda Larissa, que denunciou o mestre de jiu-jítsu Melqui Galvão (à dir.) por abusos sexuais
Reprodução/Instagram
O caso é investigado pela 8ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). A GloboNews mapeou pelo menos sete vítimas que dizem ter sido abusadas. A Policia Civil afirmou que até o momento três vítimas foram ouvidas formalmente, assim como testemunhas.
Os relatos ouvidos pela GloboNews citam abusos sexuais e psicológicos cometidos por Melqui Galvão quando as atletas ainda eram adolescentes. A maioria decidiu prestar queixa ou falar publicamente sobre o assunto somente após a prisão de Galvão, por medo de represálias ou impunidade do treinador.
“Antes, antes eu não entendia, né? Ele fazia a gente entender que aquilo era normal. Muitas das vezes ele confessava, ele falava para a gente, falava para algum dos menininhos. Hoje eu entendo, ele estava fazendo aquilo com crianças, com as meninas, entendeu? Tamanha a crueldade que hoje eu entendo, e isso me indigna. Quero que a Justiça seja feita", afirmou Brenda.
A lutadora revelou ainda que a irmã mais nova dela também foi vítima de Melqui Galvão e que só soube do abuso após a prisão dele. Até então, nenhuma delas tinha compartilhado as agressões com outras pessoas.
A defesa do treinador disse que os advogados estiveram com Melqui Galvão nesta sexta-feira (8) no Presídio da Polícia Civil e que, por enquanto, só têm ciência formal de uma vítima. Ele nega as acusações.
Professor de jiu-jítsu Melqui Galvão é transferido do Amazonas para São Paulo. Vídeo: Reprodução / Redes Sociais
Mestre condenado por estupro
Outro caso que veio a público após a prisão de Melqui Galvão é o do mestre de jiu-jítsu André Luís Siqueira Pinheiro, conhecido como “André Motoca". Ele está foragido há um ano e dois meses, após ser condenado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo por abusos sexuais cometidos contra uma aluna, entre agosto de 2015 e julho de 2016, na cidade de São Paulo.
A vítima tinha 15 anos quando os crimes começaram a ser praticados. Foram relatados quatro episódios de abusos cometidos pelo treinador. A pena fixada pelo TJ-SP é de 15 anos pelo crime de estupro, em regime inicialmente fechado. Em juízo, ele negou as acusações.
Os abusos teriam ocorrido na casa de uma familiar da vítima e em contextos de treinamento para o esporte. A jovem relatou que nunca manifestou interesse em se relacionar com o agressor.
De acordo com o processo, o mestre de jiu-jítsu pediu para a vítima não contar sobre os estupros. Após três anos de tramitação na Justiça de São Paulo, o caso foi encerrado (com trânsito em julgado). A ordem de prisão foi expedida em 11 de março de 2025, mas até o momento o condenado é considerado foragido.
A defesa do treinador afirmou que os autos se encontram em grau de recurso nos Tribunais Superiores e tramitam em segredo de Justiça. Por isso, não se manifestou sobre o assunto.
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Quem é Melqui Galvão
Melqui Galvão é conhecido no meio esportivo como faixa preta e treinador de jiu-jítsu, sendo responsável por uma academia na Zona Norte de Manaus. Ele também atuava como instrutor de defesa pessoal na Polícia Civil do Amazonas.
Segundo a PC-AM, o servidor é efetivo da instituição e estava lotado no setor de capacitação, onde ministrava treinamentos de defesa pessoal. Diante da gravidade das denúncias, ele foi afastado cautelarmente das funções até a conclusão das investigações.
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