Operação Backdoor: advogados presos foram avisados por ex-estagiária do MP sobre investigação contra o PCC
23/06/2026
(Foto: Reprodução) Operação investiga se advogados são suspeitos de vazar informações da Justiça ao PCC
Os dois advogados presos nesta terça-feira (23) na Operação Backdoor por suspeita de invadir sistemas informatizados da Justiça e vazar informações a integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) usaram a senha de uma promotora de Justiça para ter acesso a processos sigilosos contra criminosos investigados por homicídios.
Uma ex-estagiária do MP é considerada pelas investigações como fonte primária do vazamento das informações que ajudaram criminosos investigados por participação no tribunal do crime a fugirem.
(CORREÇÃO: O g1 errou ao informar que uma ex-estagiária do MP deu a senha da promotora a advogados presos por vazar dados da Justiça ao PCC nesta terça-feira (23) em Taquaritinga (SP) e Jaboticabal (SP). Na verdade, os advogados presos já tinham credenciais de acesso de uma promotora do Ministério Público que não era do mesmo gabinete da ex-estagiária. Uma das principais suspeitas é de que um dos advogados, que também foi estagiário do MP há cerca de dez anos, tenha roubado a senha da promotora, que teve a senha invadida e usada para acessar os processos sigilosos. A informação foi corrigida às 16h38 de 23 de junho de 2026).
Atualmente, ela atua como advogada e foi alvo nesta terça-feira de um mandado de busca e apreensão na operação.
A mulher é sobrinha de um investigado por assassinatos nos chamados tribunais do crime.
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Advogados tinham senha de procuradora
Os advogados presos na operação tinham credenciais de acesso de uma promotora do Ministério Público.
Uma das principais suspeitas levantadas pela investigação é de que um dos advogados, que também foi estagiário do MP há cerca de dez anos, tenha roubado a senha da promotora, que teve a conta invadida e usada para acessar os processos sigilosos.
Polícia Militar cumpre mandados da Operação Backdoor em Jaboticabal e Taquaritinga
Divulgação
Acesso prejudicou autoridades
Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), os advogados Jonatas Alves Moraes e Guilherme Gilbertoni Anselmo se passaram por promotor no sistema eletrônico da Justiça.
De posse de informações sigilosas, eles repassaram os dados a integrantes do PCC que eram investigados. Parte dos alvos dos processos conseguiu fugir antes que as medidas determinadas pela Justiça, como prisões, fossem cumpridas contra eles, prejudicando a atuação das autoridades.
Uma das ações comprometidas é a de um homicídio em Taquaritinga. O MP investigava os autores e iria prendê-los, mas com as informações obtidas ilegalmente pelos advogados eles conseguiram fugir.
Fonte do vazamento
O Gaeco aponta que uma ex-estagiária do Ministério Público foi a fonte do vazamento. Ela acessou processos com a própria senha de estagiária e passou as informações do processo sobre o tio.
O Gaeco apurou que Jonatas, preso em Jaboticabal, foi o primeiro a fazer os acessos. A movimentação foi identificada pela análise dos IPs. O advogado também atua em Portugal e chegou a usar a senha no país europeu para acessar os processos no Brasil.
O outro advogado de Taquaritinga acessou os processos e difundiu as informações para os investigados.
Nesta terça-feira, cerca de R$ 100 mil em dinheiro foram apreendidos na casa de um dos advogados. Documentos e equipamentos eletrônicos foram apreendidos e devem passar por perícia.
O Gaeco busca identificar todos os envolvidos no esquema e reunir novas provas sobre a dinâmica do grupo.
A defesa de Guilherme Anselmo disse que não iria se manifestar sobre o assunto.
Em nota, a defesa de Jonatas Alves Moraes informou que ele nega integralmente a autoria e qualquer envolvimento nos fatos investigados.
"Neste momento, não há nada definitivo que permita atribuir responsabilidade a Jonatas, razão pela qual a defesa confia que a apuração técnica e imparcial dos fatos demonstrará a verdade. Em respeito às investigações em curso, não serão prestados outros esclarecimentos neste momento."
O que diz a OAB
Em nota, o vice-presidente da Comissão de Prerrogativas Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Ribeirão Preto (SP), Giulliano Maçonetto, informou que a Comissão de Direitos e Prerrogativas foi acionada e acompanha o cumprimento das diligências relativas à operação.
“A presença da Comissão visa garantir o cumprimento estrito das garantias constitucionais e o respeito às prerrogativas profissionais da advocacia previstas em lei. Até o momento, as diligências seguem em andamento e são conduzidas de forma regular e pacífica.”
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A senha foi fornecida por uma ex-estagiária do Ministério Público, hoje advogada. Ela é sobrinha de um investigado por homicídios no tribunal do crime.
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Dois advogados foram presos nesta terça-feira (23) na Operação Backdoor em Taquaritinga (SP) e Jaboticabal (SP).
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Polícia Militar cumpre mandados da Operação Backdoor em Jaboticabal e Taquaritinga
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Operação Backdoor em Jaboticabal
Reprodução/Polícia Militar