Reclamações contra a Sabesp quase triplicam nos últimos dois anos na Grande SP
16/03/2026
(Foto: Reprodução) Reclamações contra a Sabesp quase triplicam nos últimos dois anos na Grande SP
O número de reclamações sobre os serviços da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) quase triplicou nos últimos dois anos na Região Metropolitana de São Paulo.
Dados da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) mostram que as queixas passaram de cerca de 3,7 mil em 2023 para quase 10 mil em 2024, um aumento de 162%.
As principais reclamações registradas pelos consumidores são sobre problemas nas contas e falta de água.
Em 2024, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), concluiu a privatização da Sabesp, a maior empresa de saneamento do Brasil, que atende 28 milhões de pessoas. A venda resultou em R$ 14,8 bilhões aos cofres do governo paulista.
Um exemplo dessa situação foi vivido por moradores de um condomínio no Horto do Ypê, na região do Campo Limpo, Zona Sul da capital, que ficaram mais de 80 horas sem abastecimento após um problema na rede.
Sabesp realiza operçaões para reparo da tubulação
Basílio Magno / TV Diário
O condomínio tem cinco torres e cerca de 180 apartamentos. Desde a manhã de sexta-feira (13), nenhuma torneira funcionava.
Na casa da professora Geisa Braga dos Santos Barbosa, a rotina virou improviso. A louça ficou acumulada na pia, a roupa suja se amontoou no cesto e a família passou a depender de água mineral para beber e cozinhar. Até a água usada no banheiro precisou ser armazenada em recipientes.
“É um sentimento de nojo, de impotência. A gente precisa da água, que é um serviço essencial, e vive essa situação. A casa está suja, a louça acumulada”, disse.
Ela conta que a situação é ainda mais difícil porque mora com o filho de 5 anos.
“Ficar quatro dias sem água é um tormento. Não tem água para lavar roupa, louça, para beber. A gente está na seca mesmo.”
Segundo moradores, várias ligações foram feitas para a Sabesp desde sexta-feira. A cada contato, eles receberam uma explicação diferente sobre o problema.
“Falaram que era manutenção na rede, depois que era manutenção pontual no bairro e que um técnico viria. Disseram que viria sexta, depois sábado à tarde, depois domingo até meio-dia. Ontem ficamos o dia inteiro ligando e o prazo era 24 horas”, afirmou Geisa.
Cratera aberta em rua de Osasco após o rompimento de uma adutora da Sabesp
Abraão Cruz/TV Globo
A síndica do condomínio, Luciana Oliveira Tolentino, disse que foi preciso contratar caminhões-pipa para amenizar a situação.
“Normalmente nossa conta de água vem em torno de R$ 5 mil, porque o condomínio tem tarifa social e água de reuso. Mas já gastamos cerca de R$ 11,5 mil só com caminhões-pipa desde sexta-feira”, afirmou.
Segundo ela, todas as verificações internas solicitadas pela companhia foram feitas.
“Em todos os protocolos pediam para verificar se o problema não era da bomba d’água do condomínio. Fizemos tudo isso, inclusive mais de uma vez.”
Peça quebrada na rede
Um funcionário que presta serviço para a Sabesp foi ao condomínio na tarde desta segunda-feira (16) e identificou que uma peça do registro da rede estava quebrada e precisava ser substituída.
Inicialmente, os moradores foram informados de que o reparo só seria feito na manhã seguinte por falta da peça. Pouco depois, o equipamento foi localizado e o conserto começou.
O abastecimento passou a ser retomado de forma lenta, com baixa pressão nas torneiras.
Segundo a Arsesp, as queixas registradas na agência são feitas por consumidores de toda a Região Metropolitana de São Paulo.
A agência reguladora só abre processo depois que o cliente registra primeiro a reclamação diretamente com a Sabesp.
Nos últimos dias, estudantes que moram no Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo (Crusp), na Zona Oeste da capital, também relataram falta de água nas redes sociais.
O que diz a Sabesp
"A Sabesp informou que houve oscilações no abastecimento na região por causa de manutenção e reparos de vazamentos.
Sobre o caso do condomínio no Campo Limpo, a companhia pediu desculpas aos moradores e não comentou os dados da Arsesp que apontam aumento nas reclamações."
O que diz a Arsesp
"A Arsesp informa que monitora e fiscaliza continuamente os rompimentos de tubulações no estado. Nos casos citados, a agência já solicitou esclarecimentos à Sabesp para acompanhar as ações de reparo e mitigação. Desde a desestatização da companhia, entre julho de 2024 e dezembro de 2025, foram realizadas 907 fiscalizações, com aplicação de 13 multas que somam mais de R$ 200 milhões, além de outros 20 laudos em análise. A aplicação de multas não é automática e ocorre quando há descumprimento das normas. As concessionárias são obrigadas a comunicar todos os incidentes à Arsesp, que acompanha cada caso para garantir o rápido restabelecimento dos serviços e a qualidade do atendimento à população."