Suspeito de matar dona de casa vítima de fake news há doze anos foi identificado 'por acaso'; relembre

  • 30/05/2026
(Foto: Reprodução)
Delegado comenta investigação sobre o caso Fabiane Maria de Jesus O primeiro suspeito de matar Fabiane Maria de Jesus, vítima de uma notícia falsa publicada no Facebook há 12 anos, foi identificado “por acaso” pela Polícia Civil. À época, os agentes cumpriam um mandado por tráfico quando foram informados sobre a participação do homem no crime pelos moradores. Ele foi preso e condenado a 26 anos de prisão. Fabiane morreu após ser confundida com uma suposta sequestradora de crianças para rituais de magia negra. Ela foi amarrada e agredida por moradores do bairro Morrinhos, em Guarujá, no litoral de São Paulo, que a confundiram a partir de um retrato falado. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Santos no WhatsApp. Há 12 anos, Fabiane Maria de Jesus foi espancada e morta por moradores do Guarujá, em São Paulo Reprodução/ Arquivo Pessoal O delegado responsável pela investigação à época, Luiz Ricardo Lara, participou do podcast Baixada em Pauta em setembro de 2025 e deu detalhes sobre a investigação do caso, que virou um episódio da série "História do Crime", disponível no GloboPop. Aos jornalistas Matheus Muller e Luiz Linna, o delegado relembrou que o crime aconteceu em um sábado, durante o plantão policial, quando apenas as delegacias sedes permanecem abertas para registros de ocorrências. Lara contou que recebeu o boletim de ocorrência do caso na manhã de segunda-feira, devido ao crime ter ocorrido na área de circunscrição de sua delegacia, enquanto cumpria uma ordem judicial também no bairro Morrinhos, onde Fabiane havia sido agredida. Ele destacou que a vítima ainda estava internada em estado grave no hospital. História do crime: como uma fake news gerou o linchamento e a morte de uma dona de casa Assim que as equipes chegaram na comunidade, foram informadas pelos moradores sobre o paradeiro de um dos agressores. “Uma delas falou: O cara que deu a paulada nela mora naquela casa. E a gente nem tinha visto as imagens ainda”, disse Lara. “O pessoal achou que nós estivéssemos lá por conta do caso da Fabiane [...] Eu falei: Já estávamos aqui vendo o tráfico, vamos lá ver o que era [a denúncia]. E conseguimos localizar o cara”, destacou. Lara pontuou que o homem foi encaminhado à delegacia e ouvido. No mesmo dia, familiares da vítima também foram chamados e forneceram imagens das agressões ao setor de investigação. No dia seguinte, o suspeito foi preso após a confirmação da participação. Relembre o caso Fabiane Maria de Jesus era casada e tinha duas filhas, uma de 12 e a outra de um ano de idade. A família morava no bairro Morrinhos, no Guarujá, litoral de São Paulo. A dona de casa Fabiane Maria de Jesus era casada e tinha duas filhas quando foi espancada até morte em 2014 Reprodução/ Arquivo Pessoal No dia 3 de maio de 2014, a dona de casa foi até a igreja que frequentava de bicicleta pegar uma bíblia que havia esquecido no local. Da igreja, ela seguiria para casa de um parente, mas, no caminho, foi abordada por um grupo de pessoas que a acusaram de ser uma suposta sequestradora de crianças para rituais de magia negra em São Paulo. Sem ter como se defender, Fabiane foi espancada, arrastada pelo bairro e torturada. A notícia falsa que gerou a revolta popular e, consequentemente, o linchamento de Fabiane, começou na internet. A página do Facebook Guarujá Alerta postou um retrato falado que alegou ser da suposta sequestradora. Em depoimento, o dono da página disse que apagou a publicação cerca de duas horas depois por se tratar de um boato. Imagens do linchamento de Fabiane Maria circularam pelas redes sociais e levaram a polícia a identificar os agressores. Reprodução As imagens bárbaras e extremamente violentas do linchamento de Fabiane circularam pelas redes sociais na época do crime e, a partir delas, a polícia conseguiu identificar alguns de seus principais agressores. Nelas, é possível ver dezenas de pessoas assistindo ao espancamento de Fabiane. “Se tem notícia de que este foi o primeiro evento com resultado morte, envolvendo a publicação de uma notícia falsa”, disse o delegado da Polícia Civil , Luiz Ricardo Lara, em entrevista ao Fantástico em outubro de 2022. A dona de casa chegou a ser socorrida pela polícia, mas não resistiu às agressões e faleceu dois dias depois, em 5 de maio de 2014, no Hospital Santo Amaro, também no Guarujá. De acordo com familiares de Fabiane, após as agressões, ela sofreu traumatismo craniano e havia sido internada em estado crítico. O retrato falado falso Na época do crime, a assessoria da Polícia Civil confirmou ao g1 que o retrato falado divulgado pela página "Guarujá Alerta" foi feito por peritos da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core), em inquérito que apurava uma tentativa de sequestro de um bebê ocorrido em agosto de 2012 em Ramos, Zona Norte do Rio de Janeiro. Retrato falado feito em 2012 no RJ e postado pela página "Guarujá Alerta" em 2014 Divulgação/ Polícia Civil Em entrevista ao Fantástico em maio de 2014, a única testemunha do crime ocorrido no Rio disse que a mulher do retrato falado era "totalmente diferente" da dona de casa assassinada no Guarujá. O julgamento A polícia identificou cinco suspeitos pelo espancamento e eles foram levados a julgamento. Em outubro de 2016, Lucas Rogério Fabrício Lopes, foi condenado a 30 anos de cadeia por participação no crime. No dia 28 de janeiro de 2017, outros quatro foram condenados: Abel Vieira Batalha Júnior, Carlos Alex Oliveira de Jesus, e Jair Batista dos Santos, todos estes receberam pena de 40 anos de prisão em regime fechado; e Valmir Dias Barbosa, de 26 anos de detenção. Amigos e familiares pediram "justiça" no enterro de Fabiane Maria de Jesus, em 2014 Reprodução O caso de Fabiane impulsionou debates sobre a responsabilização pela divulgação de notícias falsas, principalmente na internet, e influenciou mudanças na lei brasileira. VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos

FONTE: https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2026/05/30/suspeito-de-matar-dona-de-casa-vitima-de-fake-news-ha-doze-anos-foi-identificado-por-acaso-relembre.ghtml


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