Veja cronologia da morte de bebê com bronquiolite sem vaga de UTI em Jaboticabal, SP
18/06/2026
(Foto: Reprodução) Antonella de Lima Melo, de sete meses, morreu com SRAG e bronquiolite em Jaboticabal, SP
Arquivo pessoal
A morte da bebê Antonella de Lima Melo, de sete meses, em Jaboticabal (SP), revela uma sobrecarga no atendimento pediátrico na região de Ribeirão Preto (SP). Documentos obtidos pela EPTV, afiliada da TV Globo, nesta quinta-feira (18), mostram que, antes de morrer, a menina ficou quase 24 horas à espera de uma vaga em Centro de Terapia Intensiva (CTI) em hospitais públicos com superlotação.
O atestado de óbito aponta que Antonella morreu no dia 1 de junho com síndrome respiratória aguda grave (SRAG) e bronquiolite.
Segundo os documentos (veja a cronologia abaixo), a bebê deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) na noite de 31 de maio. Ela foi admitida na Santa Casa de Sertãozinho (SP) cerca de 22 horas depois, por meio da Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross), ligada à Secretaria de Estadual da Saúde. Mesmo após a transferência, deveria aguardar para ser internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
A família afirma que houve falha do estado no atendimento prestado à criança porque os hospitais não tinham vaga para recebê-la.
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A Secretaria de Saúde de Jaboticabal informou que a vaga foi aprovada, mas que Antonella não pode ser transferida porque o quadro de saúde era instável. Os casos de doenças respiratórias levaram a Prefeitura de decretar estado de calamidade.
Em nota, a Secretaria Estadual da Saúde lamentou a morte da bebê e disse que a paciente foi inserida na regulação estadual no final da noite do dia 31 de maio. A transferência foi autorizada no dia seguinte para a Santa Casa de Sertãozinho (leia mais detalhes abaixo).
Bebê morre após quadro de bronquiolite e Jaboticabal, SP, decreta calamidade na saúde
Veja a cronologia do atendimento de Antonella:
31 de maio
23h50 - Antonella, de 7 meses, dá nova entrada na UPA de Jaboticabal. Horas antes, ela havia sido atendida e recebeu alta com tratamento para gripe. Como a respiração piorou, a mãe levou a menina à unidade.
1 de junho
0h - A Santa Casa de Ribeirão Preto informa à Central de Regulação que o setor de pediatria está superlotado e não pode receber a paciente.
8h - O Hospital das Clínicas (HC) de Ribeirão Preto recusa o pedido de transferência. A unidade informa que:
está com superlotação nos leitos;
não há vagas na enfermaria;
há pacientes aguardando atendimento na sala de espera;
faltam leitos monitorizados;
três pacientes de "vaga zero" estavam a caminho sem possibilidade de acomodação;
orienta a regulação a procurar outros hospitais.
9h05 – A médica responsável pelo atendimento registra que Antonella precisa de internação em UTI pediátrica, serviço inexistente na UPA de Jaboticabal. O diagnóstico é de bronquiolite.
9h58 – O médico que acompanha o caso reforça a necessidade de transferência para um CTI pediátrico.
11h – Nova tentativa de transferência para a Santa Casa de Ribeirão Preto. A resposta permanece a mesma: superlotação.
11h – A Central de Regulação também aciona a Santa Casa de Jaboticabal. O hospital informou que não possui UTI pediátrica e que não é referência para a complexidade do caso.
14h – Uma médica faz novo pedido à Santa Casa de Jaboticabal. A resposta é mantida.
14h05 – Outro pedido é encaminhado à Santa Casa de Ribeirão Preto. A unidade novamente informa superlotação.
14h27 – O HC de Ribeirão Preto volta a negar a transferência. A justificativa é que pacientes estão sendo atendidos em corredores e na sala de espera devido à lotação.
Cerca de 15h20 – Nova tentativa junto ao HC de Ribeirão Preto. A resposta é objetiva: não há vagas na UTI.
16h30 – A Central de Regulação registra que ampliou a busca por vaga para outras Divisões Regionais de Saúde.
18h30 – Médica da UPA informa que Antonella apresenta piora progressiva do quadro clínico e reforça que o município não dispõe de UTI pediátrica.
19h30 – Novo pedido de internação é feito ao HC de Ribeirão Preto. O hospital responde que enfrenta alta demanda e não tem condições de receber a paciente.
20h – A médica registra que a bebê apresenta fadiga respiratória e risco de parada cardiorrespiratória.
20h – A Santa Casa de Ribeirão Preto responde novamente que o setor pediátrico permanece superlotado.
20h47 – A Santa Casa de Sertãozinho aceita o encaminhamento da paciente, mas para vaga zero, que é quando não há leito de internação e é necessário aguardar.
22h47 – Antonella de Lima Melo morre na UPA de Jaboticabal, aos 7 meses de idade.
Antonella de Lima Melo morreu aos sete meses após ser levada à UPA de Jaboticabal, SP
Arquivo pessoal
O que diz o estado
Em nota, o Departamento Regional de Saúde (DRS) de Ribeirão Preto informou que, em razão da sazonalidade das doenças respiratórias, os serviços de urgência e emergência têm registrado aumento na procura por atendimento nas últimas semanas.
“O DRS acompanha continuamente o cenário assistencial da região e atua de forma permanente para fortalecer a capacidade de atendimento da rede, ampliando o acesso da população aos serviços de média e alta complexidade.”
Em relação à estrutura da rede regional, o DRS disse que a região de Ribeirão Preto conta com 184 leitos pediátricos de CTI e UTI neonatal no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto e na Santa Casa de Sertãozinho.
“Os pacientes são encaminhados para as unidades de referência conforme os critérios clínicos e a disponibilidade da rede.”
Por fim, o DRS informou que por meio da Tabela SUS Paulista, foram destinados R$ 638,1 milhões a 50 instituições da região de Ribeirão Preto entre janeiro de 2024 e maio de 2026, para fortalecer a rede pública e ampliar a oferta de serviços à população.
Confira a reportagem completa do EPTV1:
Bebê morre após ter 12 pedidos de internação negados na região de Ribeirão Preto
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